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Desemprego entre mulheres é 80% superior dos homens

O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é o marco de grandes conquistas realizadas pelas mulheres que, ao longo do século 20, demonstraram com fatos e feitos sua igualdade de direitos na sociedade. No entanto, indicadores sobre as desigualdades de gênero no mundo do trabalho mostram que há pouco o que comemorar. As disparidades entre homens e mulheres no mundo do trabalho têm diminuído em diversos campos, mas muitos obstáculos permanecem para o alcance da plena autonomia econômica das mulheres.

A OIT aponta que ainda levará pelo menos 70 anos para que as mulheres tenham os seus salários equiparados aos dos homens. No Brasil, para uma mesma função, elas podem receber até 80% a menos do que os homens. Além disto, o desemprego no público feminino é 80% superior se comparado ao masculino.

O Relatório Socioeconômico da Mulher (RASEAM), elaborado em 2014 pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e que traz um diagnóstico realizado a partir de fontes diversas tais como IBGE (PNAD 2012) e Ministérios revela que a promoção da autonomia econômica no sexo feminino passa pela melhoria de sua inserção no mercado de trabalho e de seus rendimentos, e pela distribuição mais equitativa dos afazeres domésticos.

Dados do relatório da RASEAM 2014 chamam a atenção quando apresentam que a proporção de mulheres em trabalhos formais é pouco inferior à de homens; entretanto, há significativas diferenças de acordo com a raça ou cor: somente 48,4% das mulheres negras estavam em trabalhos formais, frente a 64,6% dos homens brancos.

Dados globais mais recentes indicam que mulheres recebem aproximadamente 77% do valor que os homens recebem. Uma das causas é o poder limitado que elas têm em termos de negociação e tomada de posições.

A discriminação generalizada, desigualdades no local de trabalho, o aumento de ocupações em cargos informais com baixa remuneração, baixo acesso à educação e formação somados à responsabilidade pela maior parte dos trabalhos de casa, dificultam o acesso e a permanência da mulher no mercado de trabalho, bem como a sua ascensão profissional.

Esta preocupação em torno das desigualdades de gênero no ambiente de trabalho será amplamente debatida durante o 16º Congresso Nacional ANAMT - evento organizado a cada três anos pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho - ANAMT. A professora doutora Cláudia Mazzei Nogueira (SP), autora do livro "A Feminização no Mundo do Trabalho", trará para discussão "A dupla jornada de trabalho, precarização e adoecimento no trabalho: o caso do trabalho feminino".

Para Cláudia, um dos principais problemas é a pressão que a mulher sofre por ter que ser altamente produtiva no espaço da produção para provar que é tão produtiva quanto o homem. A mulher, segundo ela, tem que se dedicar muito mais intensamente para ser reconhecida, com a desvantagem de ganhar menos que os homens para uma mesma função. Isso acarreta uma intensificação do trabalho e uma fragilização da sua saúde, que muitas vezes nem podem e nem se permitem adoecer. A sociedade impõe que o papel delas não é o de ser cuidada, mas o de cuidar.

Dentro dessa mesma temática, o Congresso traz ainda o Simpósio "O cuidado integral da saúde da mulher" e a doutora em Psicologia Social Margarida Barreto, de São Paulo, fala sobre "Gestão do cuidado da saúde das mulheres trabalhadoras".
Para Margarida, estudiosa da saúde mental das trabalhadoras brasileiras, é preciso prevenir a violência moral no trabalho. O assédio moral, diz ela, é uma afronta à dignidade da trabalhadora, pois altera seus valores, causa dano psicológico e afeta sua qualidade de vida e sua saúde.